4 de julho de 2017

Como encarei a Sindrome do pânico



Bom,hoje decidi fazer esse post porque, eu prometi que iria falar sobre ansiedade e sindrome do pânico nesse blog,para tentar ajudar pessoas que já passam pela mesma situação que eu passei.


O motivo pela qual eu quis criar o blog não foi só para falar de coisas que eu amo,como fotografia,maquiagem,etc,mas também para passar as pessoas um pouco do que eu carrego da vida.


Talvez você olhe para minha foto e pense: "Que tipo de fardo essa garota carrega com tão pouca idade?" E talvez você tenha razão. Mas você vai estar disposto a responder essa pergunta no fim do post,mas não desse,porque essa é a primeira parte onde eu conto como eu levava a minha vida,e como veio a sindrome do pânico. 



Na segunda parte,que pra mim é principal,eu vou contar como foi viver com a sindrome, como as coisas mudaram na minha vida como um todo,como as coisas ao redor mudaram,como foi descobrir quem eram os meus verdadeiros amigos,e no fim,contar como eu superei tudo isso e voltei a minha vida normal.



Já quero deixar claro que não sou nenhum tipo de menina fresca,como algumas pela internet,que ficam 1 semana sem sair de casa,e já se declaram com sindrome do pânico. Vejo muita gente tentando glamourizar uma coisa tão séria,e isso me deixa de cabelo em pé. 



Tem gente que adora dizer que sofre de ansiedade,mas leva uma vida normal,e não passa por dificuldades em nada. São do mesmo tipo que adora exibir que toma Rivotril e falta pendurar a caixa do remédio em um colar e usar por aí. Eu passei por um problema sério que até hoje me causa danos. E eu vou explicar o por quê.




Não sou diferente de ninguém,mas a coisa comigo foi séria. Não fiquei 1 semana,mas fiquei praticamente 4 anos sem sair de casa. " Ok,você ficou sem sair de casa por quase 4 anos,mas não ia pra longe é isso? Se pedisse pra você ir na esquina comprar um pão você iria né? "



Não. Quem me dera. Quando eu falo que fiquei cerca de 3 anos e meio dentro de casa absorvendo todo problema e enfrentando meus medos sozinha,eu não estou brincando.Eu não estou brincando quando digo que se eu tentasse ir a varanda,eu sentia falta de ar e em questão de minutos eu voltava pra dentro de casa.



Então vou começar a contar minha história. 
Eu sempre fui uma criança/adolescente meia sozinha. Eu a vida toda (e até hoje) sempre sofri muito em relação a amizade. Se você me perguntar o que é sofrer por amor,eu vou dizer que não sei. e prefiro ficar assim. Mas a vida toda eu sempre sofri por amizade. 



Sempre levei facada pelas costas,e nunca poderia me gabar de ter alguém que eu pudesse chamar de "melhor amiga". Eu tive colegas,pessoas que fizeram parte da minha vida,e amigas que eu considero que tive amizades temporárias. Que em questão de poucos anos me traíram,falaram de mim por trás,e etc.



Estou falando isso porque eu acho,que o que é mais importante na vida de uma criança,ou pré-adolescente,é ter amigos de verdade. Por incrível que pareça,se você enfrenta uma ansiedade eles podem te ajudar. Uma conversa,passar um dia com aquela pessoa,e rir da forma mais inesperada possível,pode sim te ajudar em um momento de desespero.



Devido a isso,eu sempre fui sozinha. As pessoas que eu falava poderia se contar em uma mão só,nos dedos. Na escola,eu sempre sofri bullying,daquela típica maneira que vocês já conhecem. Passei por aproximadamente 4 colégios a vida toda,e em 3 eu sofri bullying. 


Eu era uma adolescente,uma criança calada,na minha,não tinha intimidade com ninguém e falava com pouca gente. Dificilmente recebia gente em casa,sempre fui reservada,caseira e nunca quis tentar me socializar,porque na época,pra mim isso não importava. Sempre fui a filha paparicada,que tinha todas as coisas. 



Como hoje,as garotas da minha idade já falavam em namorar,em sexo,em gravidez,em beber,fumar... Eu era considerada a careta,a mimada,a santinha. Nunca consegui ter amigos por isso,por sempre estar fora de ambiente,como até hoje é assim. É dificil de se encaixar em um lugar onde todos fazem coisas que você não faz. 



Eu sofria muito bullying. Tudo o que eu fazia era motivo de incomodar todo mundo. Eu não conversava,era muito na minha,e quando tinha oportunidade de me achegar em pessoas,de tentar entrar no meio,eu recuava. Sempre morri de vergonha. Lugar cheio pra mim era o fim,e até hoje. Odiava estar na frente ou no centro das atenções,faltava morrer de vergonha. Eu queria era fugir.




Além do bullying que eu enfrentava na escola,sempre tive problemas familiares. Brigas,agressões físicas e verbais foi o que eu vi a vida inteira. Eu chegava da escola depois de um dia tenso,e já presenciava coisas em casa. Era problema no colégio e em casa. Isso foi desde sempre,até que eu um dia comecei a desencadear uma ansiedade fora do normal,um pânico inexplicável.



Eu vi tanta briga,era tanto bullying,grupo de garotas que tentavam me intimidar,em casa era briga atrás de briga,gritaria,eu me tremia da cabeça aos pés,lembro de um dia eu ter que tomar um calmante para dormir,meu coração acelerava muito e eu sentia falta de ar,minhas pernas tremiam demais.



Era tanta coisa que meu sistema nervoso ficou abalado. com qualquer barulho eu já me tremia,achando que era outra briga. Ao dar de cara com alguma daquelas garotas meu coração acelerava,achando que os ataques iriam começar. Isso tudo desencadeou uma ansiedade em mim,que de imediato trouxe a sindrome do pânico.



Lembro de um dia eu estar na sala de aula,normalmente e do nada me bateu uma crise tensa de pânico. O que mais me deixava nervosa era que não tinha hora pra acontecer,era do nada e sem motivo aparente. Eu começava a passar mal,mas tinha que disfarçar para não dar na pinta. 



Mas meu coração começava a acelerar,e junto com o coração batendo forte,eu começava a sentir falta de ar. Em seguida,eu começava a me tremer,tremia das mãos,e sentia minhas pernas bambeando. 



Eu respirava fundo,bem devagar,e tentava me relaxar. Eu tinha horror que as pessoas soubessem que eu estava me sentindo mal. Era o pior de tudo. minhas mãos suavam,e eu começava a ficar inquieta. 



Eu abria a mochila,fechava,abria o caderno,fechava,lembro que pra passar esse nervoso eu levava cadernos e revistas pra escola,e o meu nervoso e medo era tanto que no meio da matéria sendo explicada,eu abria algo na mesa da sala,como um album de figurinhas,sei lá. 



Algo que pudesse me distrair de tal maneira que eu pudesse esquecer e aquele mal estar fosse embora. Eu não tinha controle sobre o meu corpo. Eu contei essa história no meu outro post sobre ansiedade. link



Finalmente,a professora reparou tudo isso,e foi conversar com a minha mãe. Resumindo,fiquei 6 meses lidando com a sindrome dentro de sala de aula. Para me tranquilizar,minha mae ficava no pátio do colégio me esperando, durante 6 meses,na tentativa de me adaptar em sala novamente,porque eu não conseguia mais. Eu estudava a tarde. 



Eram 5 horas de aula,e eu não conseguia mais ficar em sala. Passava mal de verdade e foi só piorando,no fim eu lembro que só conseguia ficar 1 hora por dia e ia embora. Era só o que dava pra mim. 



eu me sentia pra baixo e muito idiota,porque era o tempo de eu chegar na escola e 1 hora depois,arrumar a mochila e ia embora. Minha mãe ficava o tempo inteiro no pátio,aguardando. Isso tudo foi do meio até o fim do ano,tudo pra não perder a escola e o ano também.



No fim,eu passei a me adaptar a mais tempo. A diretora disse que queria muito que houvesse mais esforço e coragem da minha parte porque a maioria da matéria eu estava perdendo,eu perdia a aula praticamente toda,e eu iria ter dificuldade de estudar para as provas. 



Então eu passei a ficar 1:30,2 horas,3 horas... até ficar praticamente o tempo todo,até umas 4 horas aproximadamente. Minha mãe ficava esse tempo todo no pátio me esperando. Com muito esforço,concluí o ano e era o último.



Tive que fazer a 5ª série em outro colégio. Fui,e pedi para minha mãe ficar nesse colégio também,porque eu tinha muito medo que aquilo tudo voltasse pro que era antes. Mas felizmente,1 semana depois,eu me senti muito bem e segura o suficiente para dizer que não precisava ela ficar ali porque eu já não tinha mais medo. 



eu aprendi a lidar com o medo sozinha. Nessa escola eu já estava aprendendo a lidar melhor,comecei a amadurecer,mas não foi fácil. Perdi muitas coisas na vida. Segui em diante,mas o pior aconteceu. Em meados de 2009 (já em outra escola,de novo),eu fiquei com a sindrome de novo.





Só que dessa vez não houve nada que me ajudasse. Eu tinha repetido a 7ª série por causa somente da Matemática. Resolveram me mudar de escola porque o ensino dessa anterior era péssimo. Não tinha boa vontade da parte dos professores,e a minha dificuldade na matéria era muito grande. 



Com 4 meses apenas na nova escola,eu perdi tudo. Veio outro ataque,e veio 10x mais forte,e não tive como resistir. Depois de tentar,minha mãe lutando junto comigo,ainda consegui fazer uma prova,mas sozinha,na sala da diretoria,em horário diferente. Tentei,mas aquela hora já era impossível. Tivemos que fechar a matrícula.




Eu passava mal,e dali em diante eu nunca mais saí de casa. Tinha falta de ar pra dormir,minha mãe dormia comigo no chão segurando minha mão,porque na minha cabeça eu iria morrer. 



e ela do meu lado me acalmava. ela desistiu da vida dela por mim,e passou a viver somente na minha função. As brigas em casa ainda existiam. Lembro que eu apanhei muito quando ainda estava com a sindrome. Chorei e tomei calmante pra dormir novamente. 




O mais dificil foi enfrentar a tudo isso,e ser ignorada por familiares. Só tinha minha mãe. o resto só falava que era palhaçada minha,que isso era frescura,que eu não queria nada com a escola,que iria morrer dentro de casa etc. Tive que ouvir de gente ao meu redor que eu iria engordar tanto que iria morrer,que eu nunca mais sairia daquela situação,gente que riu da minha situação. 



gente apostando que eu iria ter um ataque cardíaco e morrer,dizendo que eu jamais sairia dali. Eu engordava,porque desde o momento que você come e não exercita,não sai de casa,a tendência é engordar sem parar. mas disseram isso mesmo torcendo pro meu mal. 



Lembro que meu medo de morrer era tanto que eu dormia e ao lado,tinha sempre algo para comer. um saco de biscoito. acordava de madrugada um pouco assustada e comia ali mesmo. achava que iria morrer se não comesse. minha situação sempre foi ironizada por invejosos,por pessoas que são ruins e até por familiares. 



sempre torcendo pro meu mal. depois de 3 anos e meio sendo humilhada,e ouvindo tanta besteira,eu decidi me revoltar. Um dia peguei minha roupa e aceitei sair,após ser desafiada. Dali em diante eu passei a sair um pouco,mas óbvio que não seria tão fácil.






[Continua na parte 2]



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